Sabes que te tenho escrito sempre, mas decidi não publicar os textos passados aqui. Decidi juntá-los a todos neste só. Passaram-se uns dias e muito veio ao de cima. Muito me chocou porque não esperava e muito eu esperava, mas não das formas que soube. Uma das coisas que veio ao de cima, é que tu sabias de outras, o que me faz admirar-te ainda mais pelo quão forte tu foste e, sobretudo, o teu auto-controle. Escrevi-te no dia 1 de Maio, fizeste falta cá em casa e gostava que tivesses presenciado determinados momentos desse dia. Escrevi-te no dia 5 de Maio, só para te relembrar que sentia a tua falta. Escrevi-te no dia 12 de Maio, porque senti falta dos teus "Parabéns minha querida" e apercebi-me o quanto também o deves ter sentido no teu último aniversário, por isso escrevi não só para te informar disso mas também para te pedir desculpa, apesar de ter a perfeita noção de que seria tarde para isso. Escrevi-te no dia 18 de Maio porque fui sair e sabia como ficavas sempre quando saía. Escrevi-te no dia 19 de Maio, só para te dizer que tinha corrido tudo bem e perguntei como estavas. Era dia 23 de Maio pelo que passava já um mês que não te via, então escrevi-te, quis saber como estavas e o que tens sabido de novo. No dia 28 de Maio, maior stress não poderia haver então, claro, desabafei contigo através de mais um textinho. Voltei à tua nova casa no dia 31 de Maio, continuava a ser estranho, e escrevi sobre isso. Dia 7 de Junho, e não te escrevia há já uns dias, e contei-te como estive ocupada com o estudo e não tive tempo para nada, e achei por bem te informar que ia sair no dia seguinte. Passado um dia, 8 de Junho portanto, escrevi para que soubesses que estava tudo bem. Hoje, decidi escrever-te porque te tenho ocultado algumas coisas e depois de hoje, acho que mereces saber. Por muitos maus momentos que tenhas proporcionado a tu-sabes-quem, nada justifica as acções que tem tido e muitas magoam. Isto é tudo demasiado estranho, já não basta ter tudo acontecido tão rápido, tu-sabes-quem quer apressar tudo a um ritmo que ninguém apanha. Só gostava que te concedessem um dia de vida agora, exactamente agora, como tudo está e aí sim, seria a revolução, estou certa disso. Aposto que te envergonhas e revoltas muito mais que eu. Aposto que se realmente consegues, de alguma forma, saber de tudo, estás arrependido de não teres tomado certas atitudes antes. O problema é que é tarde para isso, e é cedo para tudo o resto. Decidi hoje ignorar todas as outras cartas e juntá-las nesta só porque todas elas transmitem o mesmo: o desejo de cá vires e agires. Ver-te revolucionar tudo isto e fazer com que tudo retorne ao rumo certo. Sei que não é possível, mas quis informar-te da minha vontade.
Sempre relembrando,
J.