Sabes aquele sentimento de vazio com que ficamos, quando tudo acontece tão rápido e não estamos preparados? Eu senti-me assim. Sinto-me assim neste preciso momento. Apesar de estar consciente de que este momento poderia chegar a qualquer hora... Acho que não há preparação possível. Suponho que saibas exactamente aquilo que estou a dizer. Vejo-te ir sem te ver, e custa-me. Os abraços que recebo não me fazem diferença, não são os teus. Tão forte que eras e tão rápido que foste. Não somos nada. Vivemos uma vida inteira e em segundos vamos-nos sem sequer poder dizer um adeus. Tu foste diferente, viveste uma vida de grandes dificuldades, e na oportunidade de ir, recusaste-te e quiseste uma despedida, contrariaste a destemida, pois és ainda mais que ela, e ficaste e disseste tudo o que tinhas a dizer. Pergunto-me o que ia na tua cabeça. O que pensavas? Sofrer em silêncio não é fácil. Não, não, não! Não quero que vás para aí. Saber é realmente diferente de ver. Eu vejo sem ver e não acredito. Há sempre aquela esperança em mim de que vou voltar a ver-te amanhã ou na próxima semana. Recuso-me a despedir. Não gosto de despedidas. E por isso vou continuar a partilhar contigo. Aquilo que sabes, aquilo que não sabes, e tudo aquilo que deixei por te dizer. Porque te mantenho vivo, aqui.
Sempre relembrando,
J.
Sem comentários:
Enviar um comentário