quinta-feira, 20 de junho de 2013

20 junho 2013

Querido R,

Sabes que te tenho escrito sempre, mas decidi não publicar os textos passados aqui. Decidi juntá-los a todos neste só. Passaram-se uns dias e muito veio ao de cima. Muito me chocou porque não esperava e muito eu esperava, mas não das formas que soube. Uma das coisas que veio ao de cima, é que tu sabias de outras, o que me faz admirar-te ainda mais pelo quão forte tu foste e, sobretudo, o teu auto-controle. Escrevi-te no dia 1 de Maio, fizeste falta cá em casa e gostava que tivesses presenciado determinados momentos desse dia. Escrevi-te no dia 5 de Maio, só para te relembrar que sentia a tua falta. Escrevi-te no dia 12 de Maio, porque senti falta dos teus "Parabéns minha querida" e apercebi-me o quanto também o deves ter sentido no teu último aniversário, por isso escrevi não só para te informar disso mas também para te pedir desculpa, apesar de ter a perfeita noção de que seria tarde para isso. Escrevi-te no dia 18 de Maio porque fui sair e sabia como ficavas sempre quando saía. Escrevi-te no dia 19 de Maio, só para te dizer que tinha corrido tudo bem e perguntei como estavas. Era dia 23 de Maio pelo que passava já um mês que não te via, então escrevi-te, quis saber como estavas e o que tens sabido de novo. No dia 28 de Maio, maior stress não poderia haver então, claro, desabafei contigo através de mais um textinho. Voltei à tua nova casa no dia 31 de Maio, continuava a ser estranho, e escrevi sobre isso. Dia 7 de Junho, e não te escrevia há já uns dias, e contei-te como estive ocupada com o estudo e não tive tempo para nada, e achei por bem te informar que ia sair no dia seguinte. Passado um dia, 8 de Junho portanto, escrevi para que soubesses que estava tudo bem. Hoje, decidi escrever-te porque te tenho ocultado algumas coisas e depois de hoje, acho que mereces saber. Por muitos maus momentos que tenhas proporcionado a tu-sabes-quem, nada justifica as acções que tem tido e muitas magoam. Isto é tudo demasiado estranho, já não basta ter tudo acontecido tão rápido, tu-sabes-quem quer apressar tudo a um ritmo que ninguém apanha. Só gostava que te concedessem um dia de vida agora, exactamente agora, como tudo está e aí sim, seria a revolução, estou certa disso. Aposto que te envergonhas e revoltas muito mais que eu. Aposto que se realmente consegues, de alguma forma, saber de tudo, estás arrependido de não teres tomado certas atitudes antes. O problema é que é tarde para isso, e é cedo para tudo o resto. Decidi hoje ignorar todas as outras cartas e juntá-las nesta  só porque todas elas transmitem o mesmo: o desejo de cá vires e agires. Ver-te revolucionar tudo isto e fazer com que tudo retorne ao rumo certo. Sei que não é possível, mas quis informar-te da minha vontade.

Sempre relembrando,
J.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

26 abril 2013

Querido R,

Hoje fui à tua nova casa. É estranho... Demasiado estranho. Ele foi comigo. Apesar de tudo, tem-me apoiado imenso... Tenho pena que não o tenhas conhecido. Hoje, ironicamente, o dia correu-me muito bem. Apresentei um trabalho como nunca o tinha feito antes, acho que, de alguma forma, me deste força para isso. Gosto de acreditar que sim, que continuas presente e que nos acompanhas a todos. Será que sabes tudo o que anda a acontecer connosco, mesmo? Como é isso aí? Sempre tive curiosidade. Nunca acreditei bem... Mas parece que ter alguém desse lado muda um pouco as coisas.

Sempre relembrando,
J.

24 abril 2013

Querido R,

Cá estou eu de novo. Ainda não caí em mim e hoje relembro tudo. Lembras-te de quando era pequena, me pegares ao colo e dançares? Quando eu vivi contigo, que me fazias as vontades. Lembro-me do teu amor aos animais, da tua simplicidade e do quanto te preocupavas com as pessoas. Sempre tiveste um coração gigante. E isto, porque os bons momentos são os que interessam. A minha mãe ainda não caiu em si também. Acho que, de certo modo, tu sabias o que estavas a fazer. Estavas a poupar-nos ao sofrimento de uma forma, fazendo-nos sofrer de outra relativamente mais fácil. Estivemos as duas a falar sobre estas coisas todas... A tua fotografia que mais gostamos, é aquela de quando estavas na tropa, com o uniforme e com os teus grandes olhos verdes em destaque; ainda me lembro o medo que eles metiam quando os abrias. Enfim, tudo isto porque nunca to disse. Tudo isto, porque gosto de ti.

Sempre relembrando,
J.

23 abril 2013

Querido R,

Sabes aquele sentimento de vazio com que ficamos, quando tudo acontece tão rápido e não estamos preparados? Eu senti-me assim. Sinto-me assim neste preciso momento. Apesar de estar consciente de que este momento poderia chegar a qualquer hora... Acho que não há preparação possível. Suponho que saibas exactamente aquilo que estou a dizer. Vejo-te ir sem te ver, e custa-me. Os abraços que recebo não me fazem diferença, não são os teus. Tão forte que eras e tão rápido que foste. Não somos nada. Vivemos uma vida inteira e em segundos vamos-nos sem sequer poder dizer um adeus. Tu foste diferente, viveste uma vida de grandes dificuldades, e na oportunidade de ir, recusaste-te e quiseste uma despedida, contrariaste a destemida, pois és ainda mais que ela, e ficaste e disseste tudo o que tinhas a dizer. Pergunto-me o que ia na tua cabeça. O que pensavas? Sofrer em silêncio não é fácil. Não, não, não! Não quero que vás para aí. Saber é realmente diferente de ver. Eu vejo sem ver e não acredito. Há sempre aquela esperança em mim de que vou voltar a ver-te amanhã ou na próxima semana. Recuso-me a despedir. Não gosto de despedidas. E por isso vou continuar a partilhar contigo. Aquilo que sabes, aquilo que não sabes, e tudo aquilo que deixei por te dizer. Porque te mantenho vivo, aqui.

Sempre relembrando, 
J.